domingo, 26 de setembro de 2010

"Sou forte, minha fé me faz um homem de aço!"♫ - Roberto Carlos E A Fé

Foto: Roberto Carlos reza antes de show, no México, em 2010. Wellington Mendonça / Site Oficial RC
Olá Súditos!

Hoje, estamos de volta, depois do anúncio do mais novo lançamento de Eduardo Lages, para falar sobre um assunto bastante presente na obra do Rei: A Fé.

A fé de Roberto Carlos sempre foi dividida em dois pólos: a fé católica e a fé espírita. Desde criança, Roberto via-se sempre entre as duas. Seu pai, seguidor dos princípios de Alan Kardec, e sua mãe, da Igreja Apostólica Romana, influenciaram bastante o garoto, mas nunca impuseram nada a ele. Tanto que ele nem foi batizado quando criança, pois os pais queriam que ele próprio decidisse que religião ele iria seguir.

Aos 7 anos, o futuro Rei decidiu-se pelo catolicismo, e, então, já poderia ser batizado. O problema é que, para padrinho de batismo, ele escolheu Renato Spíndola, um homem que teve uma importância grande para ele, mas que não morava mais em Cachoeiro, tinha se mudado para São Paulo. Decidiram então esperar um dia que Roberto Carlos se reencontrasse com Renato, para batizar o menino.

Como todos sabem, aos 20 anos, Roberto começou a frequentar a cidade de São Paulo, atrás de espaço para virar um famoso cantor. E foi lá que, em 1964, Roberto reencontrou Renato Spíndola. Este ficou emocionado ao ver que o garoto tinha crescido tanto, e que estava tentando ser cantor, e foi, assim como mandava o desejo de Roberto, o seu padrinho de batismo. Roberto Carlos foi batizado em 1964, aos 23 anos de idade. Pouco tempo depois, já fez a primeira comunhão, como mandam os preceitos da Igreja Católica. "Só aí que eu aprendi a importância do sacramento", afirma Roberto Carlos. Foto: Roberto Carlos comungando na missa de 7 anos do falecimento de Maria Rita (2006) / Arquivo Blog RCB

Mas aí veio a Jovem Guarda, o movimento musical que apresentou Roberto Carlos para o Brasil. Segundo o próprio Rei, em uma entrevista anos depois, essa foi a fase de sua vida na qual ele mais se distanciou da religião. Perfeitamente aceitável, um jovem no auge do sucesso esquecer um pouco isso. Mas logo mais, Roberto Carlos passaria por um momento de sua vida que iria aumentar muito a sua fé. Momento do qual, certamente, ele nunca esqueceu.

Pouco tempo depois do fim da Jovem Guarda, em 1968, o Rei ainda era Rei, e ainda fazia bastante sucesso. Chegando a fazer 3 apresentações por dia, gravando disco (O Inimitável), e com muitos outros compromissos, veio uma grande bênção: o nascimento do primeiro filho do brasa. Roberto Carlos Braga II foi o nome escolhido para aquele que viria a ser mais conhecido por Dudu Braga. A imprensa foi mobilizada para cobrir o nascimento de Segundinho: câmeras, fotógrafos, repórteres de rádio e TV estavam na maternidade. Até que uma repórter perguntou a Nice, mãe do bebê, qual era a cor dos olhos do recém-nascido. Nice disse que ainda não sabia responder, porque os olhos ainda não haviam sido abertos totalmente. Mal poderia ela saber que o primogênito de Roberto Carlos sofria de um mal: Glaucoma Congênito. Foto: Revista Contigo. Roberto Carlos e Nice, com Segundinho, no dia em que ele nasceu.

A doença, que aumenta a pressão nos olhos, foi observada no filho do Rei. Médicos diagnosticaram que a pressão nos olhos dele era de 40, quando o normal é 15. Várias vezes, Roberto viajou para fora do Brasil, com o filho, a esposa e a família, para fazer cirurgias e mais cirurgias no bebê. Em Amsterdã, na Holanda, em meio a toda aquela tristeza, Roberto rezava muito. Nesse momento, o Rei não se contentou apenas com a fé católica, mas procurou apoio no espiritismo também, indo atrás do médium Zé Arigó. Zé tentou curar o filho de Roberto, até que faleceu, em 1971, e o tratamento continuou com a medicina convencional. Depois de muita luta, Dudu foi curado. O próprio Roberto divide sua vida, artística e pessoal, como um antes e um depois daquele fatídico 1969.

Dois anos depois, veio uma nova gravidez. Dessa vez, uma menina, que se chamaria Luciana Braga, mas que também corria riscos de ter glaucoma. Roberto, desesperado, fez uma promessa a Santa Luzia, padroeira dos olhos, de acordo com as crenças católicas: se a filha nascesse saudável, Roberto guardaria o dia dela, 13 de dezembro, e não faria nenhum compromisso profissional neste dia. Luciana nasceu saudável, e Roberto guarda o 13 de dezembro até os dias de hoje. Foto: Frankenstein 73. Luciana, a segunda filha do Rei, com os pais Nice e Roberto.

Em 1992, Dudu voltou a ter problemas nos olhos, mas dessa vez foi mais forte, e nada pôde ser feito. Hoje, o filho do Rei tem apenas 5% da visão do olho esquerdo.

Mas tudo isso contribuiu para aumentar a fé do cantor mais popular deste nosso país, que, já em 1970, lançou sua primeira composição religiosa: Jesus Cristo. Naquela época, a onda gospel estava muito forte, e Roberto aderiu a ela. A canção foi um estrondoso sucesso, e já no ano seguinte veio Todos Estão Surdos, uma mensagem de paz. A Montanha, O Homem e , vieram também, ainda nos anos 70. Foto: Roberto Carlos reza, ao lado da esposa Nice, em 1973. Arquivo Blog RCB.

Nos anos 80, a religiosidade de Roberto Carlos ficou ainda mais forte, representada por canções como A Guerra Dos Meninos, Ele Está Pra Chegar, Estou Aqui, e Aleluia. Nessa década, ainda, Roberto se mudou para o Rio de Janeiro, para o bairro da Urca, em um apartamento, onde mora até hoje. Bem pertinho do prédio há uma igreja, a Igreja Nossa Senhora do Brasil, também conhecida como Igrejinha da Urca. É lá que Roberto Carlos assiste (desde os anos 80, até hoje) à missa de domingo. Foto: Roberto Carlos, em frente à Igreja Nossa Senhora do Brasil, em 1995. Arquivo Blog RCB / Colaboração: Carlos André (SP).

Em 1980, Roberto Carlos pediu que Gilberto Gil escrevesse uma música para que o Rei gravasse no seu LP daquele ano. Gil pensou: "Roberto é muito religioso. E se eu quiser falar de Deus? E se eu quiser falar de falar com Deus?" Assim nasceu a canção Se Eu Quiser Falar Com Deus. Gil enviou a Roberto, que recusou a composição, dizendo que a sua visão de Deus era diferente da visão do músico baiano. Perfeitamente justificável, para uma canção que fala "Se eu quiser falar com Deus tenho que comer o pão que o diabo amassou". Roberto, sabemos, não vê as coisas assim. Mas todos se perguntaram: então qual a visão de Roberto Carlos? Ele mesmo respondeu, 15 anos depois, com Quando Eu Quero Falar Com Deus. Ao invés de "tenho que encontrar a paz" de Gil, Roberto diz "quanta paz!". Ao invés de "Tenho que ficar a sós, folgar os nós", de Gil, Roberto diz "Eu apenas falo, às vezes me calo." Mas isso tudo é assunto para uma próxima matéria.

Nos anos 90, Roberto iniciou aquela que é conhecida como sua fase apostólica. Em nenhuma época de sua vida, ele foi tão religioso como foi naquela década. Fortemente influenciado por Maria Rita, sua esposa na época, Roberto Carlos escrevia canções religiosas para todos os discos. São dos anos 90 Luz Divina, Nossa Senhora, Jesus Salvador, Quando eu quero falar com Deus, O Terço, Coração de Jesus, Meu Menino Jesus e Todas As Nossas Senhoras. Foto: Roberto Carlos reza, ao lado de Maria Rita. Arquivo Blog RCB.

Em 1997, o Papa João Paulo II visitou o Brasil. E Roberto Carlos foi escolhido para cantar para o ponífice. O Rei cantou as canções Jesus Cristo e Nossa Senhora. Relembre esse momento.

Em setembro de 1998, foi constatado que Maria Rita sofria de câncer. E esse episódio serviu, mais uma vez, para aumentar ainda mais a fé de Roberto Carlos. O cantor participava de missas, ia a igrejas diariamente, cantava em celebrações de padres famosos, como Antônio Maria e Marcelo Rossi, chegou a gravar duas canções no CD do primeiro, ainda em 1998 (CD este que ganhou disco de platina - vide foto, do Arquivo Blog RCB), fazia promessas, participou de uma missa na intenção de Nossa Senhora Aparecida, em 1999, onde disse: "Eu tenho certeza que Maria Rita já está recebendo o milagre da cura. Vamos todos rezar por ela", dentre outras ligações com a Igreja Católica.

O quarto de Maria Rita no hospital era todo ornamentado com imagens sacras. Roberto estava se comportando como um grande católico. A cada melhora da esposa, ia à mídia, agradecer, publicamente, a Deus, e dizia que a fé movia montanhas. Mas não foi suficiente, e Maria Rita acabou falecendo, no dia 19 de dezembro de 1999.

Com isso, a fé de Roberto Carlos ficou um pouco abalada. Na primeira entrevista depois da morte da esposa, perguntaram a ele: "Dizem que a fé remove montanhas. É isso mesmo?". Roberto respondeu:
Eu acho que não é exatamente assim... A fé te dá forças pra você superar... Pra você passar por cima da montanha, ou dar a volta pra chegar do outro lado. Mas remover montanhas, eu não sei se é exatamente assim. Pode ser que eu chegue até a conclusão no futuro de que é assim. Antigamente eu não pensava assim, não. Eu achava que a fé, realmente, removia montanhas, sempre no sentido simbólico, mas hoje eu vejo que não, que a montanha fica ali, e a gente tem fé pra escalar, força, entende? Pra subir, passar pro outro lado, ou dar a volta, mesmo que o caminho seja difícil, a fé ajuda muito nisso.
Contudo, em 2000, ele lançou a mensagem Tu És A Verdade, Jesus, que foi a última lançada por ele até então. Essa visão mais racional da fé ficou clara em uma canção de 2002, Seres Humanos, na qual Roberto fala que os seres humanos não são os culpados de tudo de ruim que acontece no mundo. Segundo a canção, somos apenas "seres humanos, que querem a vida mais linda. Não somos perfeitos.. AINDA!"

E é essa visão que ele tem até hoje. Roberto continua indo à missa nos domingos, tendo a igrejinha da Urca como ponto de referência, indo à missa de ano de falecimento de Maria Rita, rezando cada dia mais. Contudo, bem menos do que o que já fora um dia.
Foto: Roberto Carlos comungando, no casamento do filho, Dudu Braga, em 1995. Arquivo Blog RCB.

"Roberto Carlos é o maior apóstolo da Igreja Católica no Brasil" (Thomaz Magalhães)

Próxima Matéria
Próxima sexta-feira estaremos de volta, com uma matéria inédita bem bacana, sobre Charles Chaplin!

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3 comentários. Clique aqui para comentar!:

Beatriz disse...

E assim o Rei encontrou forca, atravez da fe, para superar as dificuldades e a compreensao da sua caminhada.
Obrigada James...a materia esta' muito interessante e sem duvida maravilhosa. Gostei muito de saber porque o Rei e' um homem de aco!!!

Beijos

Carlos André disse...

Parabéns,falou de um tema muito importante na vida do Rei e sem dúvida na vida de todos nós,Com fé e com amor otimista eu sou,

Abraços meu amigo

darcebranco_apaixonados disse...

roberto carlos é uma pessoa iluminada pois, só tendo uma fé esplendorosa e firme para suportar todas,as provações, obstáculos, que passam por nossas vidas.sou fã deste cantor especial e respeitado no país inteiro.meu sonho é de um dia poder dizer, pessoalmente a ele cara que sucesso.que que fortaleza vc é. me orgulho de ser sua fã. te admiro, por ser um homem de DEUS. que confia seus projetos a ele por isso sempre tem dado certo.um beijão a todos que curtem o roberto. amo todos.