sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Banda de Roberto Carlos - Parte 1

Esta matéria contém os itens:
• A Banda de Roberto Carlos - Parte 1
• Fotos exclusivas: Roberto Carlos em Chicago.


Imagem exibida na abertura do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, direção Roberto Farias. Ilustração de Sérgio Malta.

Olá súditos !

Depois de uma fantástica homenagem que recebemos, da Folha de São Paulo, cá estamos, novamente, para falar de um assunto bastante interessante, e bastante ligado ao Rei, nesses 50 anos de carreira: A Banda de Roberto Carlos.

No começo, não havia banda. Roberto apenas tocava violão (guitarra) sozinho. E foi na época que Roberto Carlos cantava em circo, que o futuro Rei do Brasil conheceu, em 1961, aquele que seria o primeiro músico de sua banda: o baterista e percussionista Anderson Marquez, ou o famoso Dedé, que até hoje compõe o RC-9. Na época Dedé tinha dezenove anos e trabalhava de jornaleiro. Com seu jeito alegre e brincalhão, Dedé logo ganhou a amizade de Roberto Carlos. "Eu tomava umas bolinhas para não dormir e, quando saía da banca de manhã, já ia direto para a casa de Roberto tomar café com a família dele." Passando de fiscal de bilheteria, para tirar a porcentagem correta do cantor, Dedé, certa vez, encontrou uma bateria em um circo onde Roberto Carlos iria se apresentar. E foi assim, tocando devagarzinho, sem que ninguém ensinasse a ele, que Dedé aprendeu a tocar bateria. Estava formado o RC-2. Roberto Carlos na guitarra e Dedé na bateria. Ao lado, foto de Dedé, em 1968, ao lado de Wanderley, no filme Roberto Carlos Em Ritmo De Aventura (direção: Roberto Farias).

Faltava ainda um contrabaixista, e isto foi resolvido em 1964, quando o torneiro mecânico Bruno Pascoal parou para tomar um café com colegas num bar, em São Paulo. De repente, ele viu um fusquinha parado na rua e notou que o motorista parecia sem jeito para fazê-lo funcionar. O motorista era Roberto Carlos.

Bruno foi até lá e se ofereceu para ver qual era o problema. Com uma chave de fenda, ele resolveu em poucos minutos o problema do carro. O motorista agradeceu e se apresentou, dizendo que se chamava Roberto Carlos, era um cantor do Rio de Janeiro, e estava indo com aquele fusca fazer um show na cidade de Sorocaba. Bruno ficou contente em saber disto e afirmou que, embora trabalhasse como mecânico, gostava mesmo era de música, e até tocava contrabaixo numa banda do seu bairro. "Então venha comigo para esse show em Sorocaba", convidou Roberto Carlos. Bruno não pestanejou, e acompanhou Roberto Carlos nessa viagem. A partir daí, em todos os shows, o cantor passou a ser acompanhado pelo RC-3, com ele próprio na guitarra, o torneiro mecânico Bruno no baixo e o jornaleiro Dedé na bateria. E assim foi, durante quase toda a Jovem Guarda. Bruno ficaria na banda até meados de 1973. Ao lado, foto de Roberto, Dedé, e Bruno, da esquerda para a direita, em 1966, depois de uma apresentação em Portugal. Autoria da foto desconhecida.

E assim Roberto explodiu para o país, com a inesquecível Quero Que Vá Tudo Pro Inferno, e com o dominical Jovem Guarda na TV Record. Nosso professor de amor chegava a fazer três shows por dia. Foi quando o cantor decidiu ampliar o RC-3, contratando um guitarrista para acompanhá-lo no palco. O primeiro candidato que apareceu foi Antônio Wanderley, tecladista do Milton Banana Trio, grupo paulista que tocava repertório de bossa nova. O problema é que ele não sabia tocar guitarra nem conhecia o repertório de Roberto Carlos. Mas Wanderley teve a "cara-de-pau" (com todo respeito) de dizer que sabia tudo isso, apresentando os primeiros acordes de Mexericos da candinha ao cantor. Roberto aceitou, já estava prestes a começar um show, e não tinha mais ninguém que tocasse guitarra. E a primeira canção do show era justamente Mexericos Da Candinha. Wanderley tocava pedacinho aqui, pedacinho ali... Foi, portanto em pleno show que Roberto Carlos descobriu que seu novo guitarrista não dominava o instrumento. Cabisbaixo e triste, achando que tinha perdido sua grande chance de compartilhar o sucesso da jovem guarda, ao final do espetáculo, o falso guitarrista procurou se desculpar ao chefe. "Pô, Roberto, você me desculpe. Na verdade, o meu negócio não é guitarra. Meu negócio é piano." E Roberto: "Pô, bicho, mas eu estou precisando é de um guitarrista. E você não toca nada", retrucou o cantor, que, entretanto, parece ter ficado sensibilizado com o constrangimento de Wanderley, pois decidiu lhe dar uma segunda chance.

"Vamos fazer o seguinte: aparece domingo lá no Jovem Guarda. Tem um órgão lá, vamos ver como você funciona nos teclados, porque como guitarrista realmente não dá." Era tudo o que Wanderley queria: participar daquele programa e tocar o seu verdadeiro instrumento. Dessa vez, ele não deu bobeira: ouviu os discos de Roberto Carlos, aprendeu o repertório e no domingo mandou ver, tudo direitinho. O cantor ficou muito bem impressionado. "Cara, parabéns, gostei muito. Aí sim!", disse-lhe ao final do programa. Naquela mesma semana, Wanderley arranjou um teclado e passou a acompanhar Roberto Carlos nos shows, que até então não reproduziam aquela sonoridade do órgão presente nos seus discos. Wanderley está na banda até hoje, e é um dos mais famosos. Ao lado, foto do primeiro show de RC com Wanderley, o qual narramos aqui, que ele estava tocando guitarra. Repare na falta de habilidade dele com o instrumento. Foto: Arquivo Blog Roberto Carlos Braga.

Logo em seguida, o cantor foi à procura de um guitarrista, o que ele realmente precisava. E, não querendo se surpreender novamente, ele resolveu convidar para a sua banda um músico que já conhecia muito bem: o paulista José Provetti, o Gato, guitarrista do conjunto The Jet Blacks, que aparece, na foto ao lado, em captura do filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, dirigido por Roberto Farias. Agora, a banda de Roberto estava rebatizada de RC-4: Gato na guitarra, Wanderley no teclado, Bruno no baixo e Dedé na bateria. Há de se considerar que Roberto Carlos foi o primeiro cantor brasileiro a ter a sua própria banda de acompanhamento - fato que depois se tornaria comum entre os demais artistas de nossa música popular. Isto era um luxo que os artistas brasileiros ainda não se permitiam.

Em 1967, querendo aumentar a banda, Roberto deixou para Wanderley a tarefa de escolher três músicos de sopro. O tecladista escolheu o trombonista Raul de Souza, o saxofonista Ernesto Neto, o Nestico, e o trompetista Maguinho. Estava assim pronta a formação mais famosa da banda de Roberto Carlos, o RC-7. A sonoridade da banda ficou impressionante. É notável a diferença, no disco Em Ritmo de Aventura, daquele ano. Abaixo, capturas do filme Roberto Carlos em ritmo de aventura, com os 3 integrantes da banda. Respectivamente, Raul, Nestico e Maguinho.
E no Festival da Record de 1967 (aquele em que Roberto Carlos cantou "Maria, Carnaval e Cinzas", lembra?), a canção Alegria, Alegria seria defendida pelo autor, Caetano Veloso. A ideia inicial de Caetano Veloso era convidar o RC-7, para acompanhá-lo em Alegria, alegria. E esta teria sido realmente a melhor opção para aquele momento do festival, pois geraria bastante polêmica, e era justamente isso que Caetano Veloso queria. Entretanto, ele ficou receoso em fazer o convite, pois não tinha contato algum com Roberto Carlos, e Caetano acabou convidando os Beat Boys (banda argentina que tocava no Brasil) para acompanhá-lo naquele número.

Mas Caetano Veloso não desistiu de ter a banda de Roberto Carlos tocando com ele. Já famoso, depois do festival tomou coragem e convidou o RC-7 para acompanhá-lo na gravação de Super-bacana, uma das faixas de seu primeiro LP solo. Mas aí muita coisa já havia ocorrido e não houve tanta repercussão.


Em contrapartida, Roberto Carlos gostou muito de Alegria, alegria e da postura de Caetano Veloso, e o convidou para cantar no programa Jovem Guarda. E Roberto fez questão de que Caetano subisse no queijinho redondo, no centro do palco, onde só subiam ele, Erasmo e Wanderléa. Nenhum dos outros convidados cantava ali. "Eu tenho a alegria de dizer que subi no queijinho onde só subiam Roberto, Erasmo e Wanderléa", afirmaria Caetano anos mais tarde, em 2008, nos bastidores das gravações do Show Bossa Nova 50 anos.


Pois bem, amigos, paramos no RC-7, mas na...

Próxima Matéria
Na próxima sexta, você vai saber como o RC-7 se transformou no RC-9, e ler muitas histórias que foram vividas por aqueles rapazes, de 1970 até hoje. É uma brasa, mora?

Compre CDs e DVDs de Roberto Carlos !
Fotos Exclusivas: Roberto Carlos em Chicago!
Blog RCB - 23 de maio de 2010 - 18:15
Roberto Carlos fez show em Chicago (EUA) dia 22 de maio (ontem à noite). E, como sempre, nós, do Blog Roberto Carlos Braga, trouxemos, antes, fotos exclusivas do show.
Em um dos momentos do show (Un Millón De Amigos), uma fã invade o palco, e Roberto Carlos a abraça. Logo em seguida, outra fã invade o palco. Roberto estende a mão pra ela, que puxa, e faz o cantor se desequilibrar, para depois dar-lhe um abraço. Veja nas fotos exclusivas do Blog RCB.




3 comentários. Clique aqui para comentar!:

Derbson Frota disse...

Que histórias bacanas! Roberto é o maior ídolo de nosso país porque, além de ser um artista absolutamente completo, tem pessoas competentes ao seu lado, como toda sua banda!
Tudo o que o rei canta em "Amigo", para o tremendão, vale também para Dedé, um músico excelente, e muito humilde e simpático com os súditos do rei, assim como todo o restante da banda!

Todos eles são uma brasa, mora!!

Derbson Frota
Tianguá CE

nuestras estorias disse...

adorei estas fotos antigas! arquivo histórico! sempre bom ver.

Rita de disse...

parabéns...adorei ler sobre a banda do REI...que fantástico o começo de tudo...eu sempre digo que hoje essa banda do REI é digno de um REI mesmo...ela é fantástica...